ANTÓNIO JOAQUIM GEADA PINTO
Padre Hugo Martins
Paróquia de Padre Hugo

ANTÓNIO JOAQUIM GEADA PINTO
Nasceu na freguesia da Orca (Fundão) em 28 de Outubro de 1931, filho de António Joaquim Geada e de Maria da Conceição Pinto. Enquanto o Pai se dedicava a consertos e à venda de relógios, a Mãe tomava a seu cuidado cinco filhos e ainda trabalhava na agricultura.
Além de vocação para os relógios, o seu Pai tinha uma veia natural para a música, tocando piano e concertina, dirigindo a Banda da Música da Orca. Os seus atributos naturais para música alongaram-se levaram-no a construir um violino. Esta herança foi herdada pelos seus filhos.
Oriundo de uma família profundamente religiosa, naquele viveiro espiritual cresceram dois filhos sacerdotes e uma religiosa, ligados à Diocese da Guarda ↗: o Padre Manuel Joaquim Geada Pinto, Director do Jornal “Amigo da Verdade”e antigo Director do Colégio do “Outeiro de São Miguel” na Guarda; o irmão Padre José Joaquim Geada Pinto Pároco, com grandes dotes musicais, a seu cargo as paróquias limítrofes da cidade egitanienses e Maestro do Coral da Sé da Guarda; a irmã Maria da Conceição, membro das Servas de Jesus, professora no Colégio da Ruvina (Sabugal).
António Joaquim Geada Pinto, feito o exame da 4ª Classe no Fundão, por influências do dinâmico Padre João de Oliveira Santos Barroso, a quem a Paróquia da Orca muito deve (pelas inúmeras obras que realizou, inclusive a visita do Santo Padre Cruz), matriculou-se no Colégio de Montariol em Braga. Durante três anos recebeu uma formação franciscana que nunca mais esqueceu e norteará a sua vida de cristão.
Regressou às origens e na companhia do Pai aprendeu a arte de consertar e vender relógios pelas aldeias circunvizinhas, principalmente no concelho de Penamacor e mais tarde no concelho do Fundão.
Frequentou vários cursos em Gondomar, especializando-se também na arte de ourivesaria. Com base nesses conhecimentos e numa atitude de libertação do seu progenitor, casou com Mª Rosa em Janeiro e fundou em 1955 a “Ourivesaria Geada Pinto”, na Rua Vaz Preto na vila de Penamacor. Graças ao seu profissionalismo, a clientela começou a aumentar e, em 1964, numa antiga arrecadação do Café Nacional no Fundão, modificada com grade beleza e estética, nasceu a Ourivesaria e habitação em plena Praça do Município, uma zona comercial por excelência.
Durante a semana andava num vaivém entre Penamacor e Fundão, até trespassar finalmente a loja de Penamacor em 1968 e assentar arraiais no Fundão, com a esposa e os 6 filhos.
Realce-se que os comerciantes se ajudavam mutuamente e que havia homens de palavra, de honra e dignidade.
O nosso Homem não ficou só pelos relógios e ourives. Em 1978 fez o Curso da S.O.E. (Sociedade de Optometria da Europa) e começou a fazer as primeiras montagens de óculos, criando na própria ourivesaria uma seção de Óptica.
Em 1980 tirou o Curso de Optometria na Escola Portuguesa de Óptica Ocular em Lisboa, um curso de dois anos. Geada Pinto é da primeira leva de optometrias formados por esta Escola, e dos primeiros Optometristas em Portugal.
Em 2015 chegou a fechar a Ourivesaria na Praça do Município, que foi alvo de dois assaltos, um castigo pesado para quem passou uma vida a trabalhar.
No campo religioso e social, em 1982 tomou a direcção do Grupo Coral Santa Cecília da Paróquia do Fundão, onde cantou e ensaiou muitas letras, algumas músicas de sua autoria. Quem não recorda, entre muitas outras, a audição da letra e música sacra ”Ave Maria”?
Com a tradição tão vincada no Fundão da Ordem Terceira Franciscana, era membro efectivo e participativo nos Vicentinos, na Legião de Maria e no Grupo “Amigos de São Martinho.” Diariamente tinha a agenda carregada de actividades extraprofissionais de carácter social e de cidadania.
Sem a mão direita saber o que fazia a esquerda, ajudou muitos fundanenses carenciados, pagando rendas de casa, medicamentos, água, luz, empréstimos que nunca tiveram reembolsos.
Geada Pinto, apesar de uma vida familiar e profissional intensa, ainda tinha tempo para se dedicar a acções de voluntariado, a causas solidárias, cívicas, sociais e religiosas. Um exemplo para aqueles que quase não fazem nada, mas apregoam aos quatro ventos que estão muito ocupados com o nada…
Quis o destino que António Geada Pinto, um HOMEM com espírito franciscano, partisse para a vida eterna na festividade de São Francisco de Assis, enquanto decorria em Fátima a grande Peregrinação Nacional Franciscana.
Descansa em PAZ, Irmão Franciscano, Justo António Joaquim Geada Pinto.
António Alves Fernandes
Aldeia de Joanes
Novembro/2018

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